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OPERAÇÃO BLINDAGEM – POLÍCIA CIVIL PRENDE QUADRILHA EM MALACACHETA

27 de agosto de 2007 5.413 visualizações Nenhum Comentário Imprimir este artigo Imprimir este artigo

            Na manhã de dia 24 de julho de 2.007, a Polícia Civil de Minas Gerais, através da 14ª DRPC prendeu 32 pessoas acusadas de participação numa organização criminosa para o tráfico ilícito de drogas, porte ilegal de armas e munições, esquema de inscrição fraudulenta de eleitores e homicídio.

           A mega-operação foi coordenada pelo Dr. Isaias Pontes de Melo, Delegado Regional de Polícia Civil, com auxílio direto do Delegado Dr. Washington Souza Filho, Titular da Comarca de Malacacheta-MG, Dra. Iara de Fátima Luiz Gomes, Titular da Divisão de Furtos e Roubos e Dr. Jéferson Botelho, Titular da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes de Teófilo Otoni-MG. Exerceram papel fundamental nas investigações os agentes de Polícia, Carlos Alberto de Sá e Magno Ferreira.

           Foram mais de sete meses de investigações técnicas realizadas por uma equipe altamente qualificada da Polícia Civil de Teófilo Otoni-MG, cuja operação recebeu o nome de “Blindagem”, haja vista a proteção da cidade de Malacacheta que vinha sendo marcada por crimes violentos, o que fez com a sociedade solicitasse providências urgentes junto aos órgãos de controle social, mas a Polícia Civil já trabalhava com profissionalismo, cercado por alto grau de sigilo, necessário para que a incursão fosse marcada pelo sucesso, o que realmente aconteceu. Pessoas de outras cidades foram alvo de investigações, tendo sido presos outros integrantes da narcoempresa nas cidades de Capelinha, Água Boa e Almenara, além de Malacacheta e Teófilo Otoni. O Dr. Leandro Almada, do Núcleo de Investigação da Superintendência Geral de Polícia Civil, pela terceira vez, esteve a frente do planejamento estratégico dos trabalhos.

          O Poder Judiciário, com parecer favorável do Ministério Público da Comarca de Malacacheta, analisando todo conjunto probatório produzido pela Polícia Judiciária, tudo com base em dispositivos legais, decretou a prisão de 40 (quarenta) pessoas, a maior parte envolvida com o crime organizado, sendo que na sistematização operacional, foram utilizados agentes policiais do Grupo de Resposta Especial – GRE, da Patrulha Uniforme Metropolitana de Apoio – PUMA, Policiais da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, do Departamento de Investigações, todos de Belo Horizonte, num total de aproximadamente 120 policiais, além de policiais de Capelinha, Malacacheta e Teófilo Otoni-MG.  A Polícia Civil ainda utilizou na ação policial um helicóptero, um avião bandeirantes e aproximadamente 40 viaturas policias. Três integrantes da facção criminosa foram transferidos de avião para a Penitenciária Nelson Hungria em Contagem, no mesmo dia da operação.

          Os Delegados Washington Souza Filho, Iara de Fátima Luiz Gomes e Jéferson Botelho representaram pela segregação preventiva de quarenta pessoas, apresentando para a Justiça de Malacacheta um breve histórico da cidade e região, dando sustentação para que a Justiça pudesse decretar a prisão de todos os autores.          

              Assim, numa histologia fática, importante ressaltar que na gênese do procedimento ficou consignado que a violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade, sendo uma das causas do crescimento da violência no Brasil, a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e ao desrespeito à noção de cidadania. O País assiste atônito à pretensa escalada do poder e à ousadia do crime organizado, com sérias ameaças às Instituições de Segurança, com ataques covardes às instalações do Poder Público e da iniciativa privada. Assim, torna-se imperioso, estudar neste contexto, os efeitos sócio-econômicos e jurídicos em nosso projeto de Segurança Pública, para frisar que a cidade de Malacacheta-MG está localizada na mesorregião do Vale do Mucuri, nordeste de Minas Gerais, distante 432 km da capital mineira, fundada em 14 de setembro de 1924, possui uma população aproximada de 19.282 habitantes, censo de 2.006, com uma área territorial de 719,345 km2, numa altitude de 432 m, situada a 84 km da cidade de Teófilo Otoni-MG.

               Em 15 de fevereiro de 1990, a cidade, até então tranqüila e pacata é marcada nacionalmente e estrangulada por um episódio extremamente violento, brutal e desumano que abalou emocionalmente a toda sociedade, com enorme derramamento de sangue e profunda dor, em virtude da morte de várias pessoas de duas famílias, cuja motivação foi a disputa por terras, naquilo que ficou conhecido nas páginas da história por “Chacina de Malacacheta”.

                 O tempo passou e com ele o sentimento de dor e perda em toda a sociedade, que mal se recuperou do desastre humano, para deparar hodiernamente com a chamada indústria do medo em face das quadrilhas organizadas que se instalaram na cidade para o comércio de drogas, e prática de outros crimes violentos, uma séria ameaça para toda população, haja vista o risco iminente desse comburente que aquece a criminalidade, e alimenta o crime organizado, causando sentimentos de revolta e descrença nos órgãos de segurança pública. Quer dizer: Hoje não temos mais a opção entre violência e não-violência. É somente escolher entre não-violência e não-existência, já dizia Martin Luther King.

                 Nesse contexto, a Polícia Judiciária, na sua árdua missão constitucional de investigar as infrações penais, artigo 144, § 4º da CF/88, num verdadeiro elo com o Poder Judiciário e Ministério Público, se apresenta como instrumento garantidor da paz social, núcleo mínimo de garantia, cujo fim colimado é o de resguardar a incolumidade pública das pessoas e do patrimônio.

                 Nesse cenário, a autoridade policial, na ortodoxia do artigo 4º e SS do Código de Processo Penal, instaurou o competente Inquérito Policial, com o fito de se apurar o envolvimento de várias pessoas, agindo em organização criminosa, com poder de ação e mando,  na prática de crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, plasmados nos artigos 33 e 35 da Lei  11.343/06 e crimes eleitorais, consistente em captação fraudulenta de eleitores, capitulados no artigo 289 e SS do Código Eleitoral, Lei 4.373/66, cuja organização criminosa vem sendo chefiada por traficantes da cidade de Malacacheta, responsável pela distribuição de drogas a grande parte de usuários da cidade, com estreito relacionamento com traficantes da zona norte da cidade de Teófilo Otoni-MG.

                 Buscou-se neste caderno investigatório, um verdadeiro compêndio probatório, com solidez em provas técnicas, mormente por via de interceptações de comunicações telefônicas, autorizadas pelo Poder Judiciário da Comarca de Malacacheta-MG, na melhor forma da Lei 9.296, de 24 de julho de 1996, contendo riquezas de prova, demonstrando com clareza toda atuação dos quadrilheiros.

                   Pode-se afirmar com toda segurança que a Polícia Civil de Teófilo Otoni-MG é diretamente responsável hoje pela redução dos índices de criminalidade na cidade e região, principalmente depois de executadas as operações Gêneses, Êxodus e Blindagem, com a prisão de aproximadamente de 150 pessoas envolvidas com o crime organizado no Brasil, demonstrando a seriedade de profissionais de grande competência, abnegados e comprometidos com a nobre função de garantir direitos e preservar a dignidade da pessoa humana, como elo da própria existência humana, um verdadeiro paradigma para a Segurança Pública do Brasil, eis que a repressão acontece com a promoção de Justiça Social. Fica aqui o reconhecimento e os elogios a todos os policiais que participaram do evento, com garra e muito brilhantismo, mesmo sabendo que onde está o homem está o perigo, e pequenos desacertos são naturais diante de uma sociedade pluralista e heterogênea, até mesmo diante de incertezas de atitudes.   

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