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O PROJETO DE DESCONSTRUÇÃO DA POLÍCIA INVESTIGATIVA

10 de julho de 2009 1.454 visualizações 1 Comentario Imprimir este artigo Imprimir este artigo

Por Cristiano Augusto Neiva

A América Latina vive um momento impar. Após passar por ditaduras explícitas, conturbadas, e em não raras ocasiões, violentas, hoje passa por um processo de implantação de uma ditadura pós-moderna. Esta Ditadura não faz uso de tanques, exércitos nem de violência física. Estamos vivendo a implementação de uma ditadura travestida, enrustida em pseudos governos democráticos quando na verdade são cada vez mais totalitários. As ditaduras pós-modernas e seus lideres se intitulam populares e defensores das classes que nunca foram assistidas pelos governos pretéritos. Dizem-se representantes da democracia quando na verdade o plano e as intenções são vis. Por detrás dessa espessa máscara o que se esconde são pessoas tão ou mais mercenárias e elitistas que os governos anteriores. A diferença está na propaganda política hoje muito mais rebuscada e direcionada de forma a convencer até intelectuais, artistas e demais pessoas esclarecidas.

A forma engendrada para se perpetuarem no poder está alicerçada em uma base comum: Pão e circo aos carentes de oportunidade. Fatias generosas do bolo aos grandes empresários e aos aliados do governo e gordas pensões à grande maioria dos órgãos de imprensa do país para que não tirem a venda da população enganada. E assim, quem participa do implexo esquema pode continuar a comprar carros de luxo, mansões, colecionar contas em refúgios fiscais e para aqueles mais destemidos, até mesmo construir castelo. Não podemos esquecer ainda daqueles que querem manter o poder para sobrepujar como marionetes quem lhe interessar. Em por ultimo e não menos nefastos aqueles que deveriam julgar com lisura e só fazem justiça a quem os interesses convergem com os seus.

A imprensa fala muito da Venezuela, Bolívia, Equador e não cita o Brasil. Alguns vão pensar: claro! No nosso pais gigante pela própria natureza, guiado pela Ordem e Progresso, não há espaço para tais situações. Lúgubre engano!

O projeto foi construído, implementado e caminhava sem sofrer nenhuma ameaça. Eis que surge uma ameaça de tempestade no céu de brigadeiro da corrupção nacional: A POLÍCIA JUDICIÁRIA, tendo como principal atriz a Polícia Federal.

Como forma de legitimar o sistema de corrupção implantado deram uma pseudo liberdade para a Polícia Federal investigar. Ocorre que parece ser inerente às mentes direcionadas à torpeza subestimarem a inteligência dos que estão à sua volta e eis que deram um tiro no próprio pé. A Polícia Judiciária passou a investigar casos de corrupção envolvendo políticos, agentes públicos, construtoras, prestadoras de serviços públicos, bancos, poder judiciário. Foram investigados carecas, cabeludos, barbudos, sindicalistas, membros do partido que deveria representar os trabalhadores, sanguessugas, Mensaleiros, até que a policia descobriu até onde ia a sua “liberdade” para investigar. O limite estava na SATIAGRAHA, ou seja na “ Firmeza da Verdade”. Traduzindo para o dicionário da capital federal, o limite estava nos “INTERESSES PALACIANOS”.

A policia tinha ido longe demais, onde já se viu investigar o “Amigo del Rei” Daniel Dantas, o juiz a serviço da corte contemporânea Gilmar Mendes e ainda o consultor financeiro da corte e “vítima” do Crack da Bolsa de Valores do Rio nos anos 80’, “Sr” Naji Nahas. A besta feroz tinha saído do controle do seu mestre e precisaria imediatamente ser dominada antes que cometesse danos irreversíveis aos membros da família “Del Rei”.

Assim se intensifica o mais novo projeto do império totalitário: A DESCONSTRUÇÃO DA POLÍCIA JUDICIÁRIA NO BRASIL.

Quando se quer destruir uma instituição a primeira coisa a se fazer segundo a cartilha da Política de Desconstrução é desacreditar essa instituição perante a sociedade. Eis que é criada então a figura de um delegado descontrolado que comete vários atos ilegais com a participação e conivência de um juiz e um promotor não menos desequilibrado e do diretor de uma agência de inteligência apresentado como resquício dos antigos governos militares.

Na imprensa comercial, o projeto de desconstrução da polícia investigativa vem contaminando as maiores publicações, seja de forma clara ou obtusa, direta ou subliminar. Não se discute a culpabilidade do Dantas nem o seu envolvimento com o partido do Rei como citou recentemente o senador Heráclito Fortes em discurso na tribuna daquela casa. Os holofotes se voltaram para as improváveis ações abusivas cometidas durante a busca da verdade.

Rui Barbosa estava certo, a sua profecia está se concretizando! Se o delegado Protógenes fosse despreparado ou fraco de espírito hoje não mais andaria de cabeça erguida e teria vergonha de ser honesto diante do bombardeio extremamente covarde que vem sofrendo. A artilharia vem do exército da ditadura corrupta e dissimulada que infelizmente governa nosso país. E o mais grave, se legitima através do “Estado de Direito” e a sua tortura dói mais que a física, pois atinge o psíquico da vítima.

É verdade que o Estado sempre teve na Polícia Investigativa um animal perigoso que deveria ser controlado a rédeas curtas. Ocorre que atualmente os amigos do rei perceberam que não basta controlar a policia, o mais seguro é esterilizá-la ou torná-la vegetativa. Nomeia-se, então, o “Paladino da Justiça” para tal missão. O “Garantista” Gilmar Mendes entra em ação em defesa dos interesses da corte, não a de justiça mas a do Rei.

A artilharia utilizada na cruzada contra a “polícia descontrolada” é pesada e eficiente. O CNJ, Conselho Nacional de Justiça, logo se vira contra a interceptação telefônica e cobra dos juízes de 1ª Instância mais e mais exigências para se autorizar uma interceptação. Os juizes por suas vezes, com medo de retaliações por parte do CNJ, fazem inúmeras novas exigências para as polícias judiciárias. O objetivo é explicito o de criar entraves a ponto de engessar a investigação policial. Por coincidência o CNJ, que foi instituído como ferramenta de controle sobre os juizes de 1ª instancia, é hoje presidido pelo paladino Gilmar Mendes.

A corte não achou que fosse bastante e pede ao mesmo paladino que continue o ataque. Então o ministro vem a público e se diz inclinado a propor o controle externo da investigação policial ao poder judiciário como forma de se evitar arbitrariedades. Ou seria evitar que a policia tenha como norte o ideal pregado pelo pacifista Mahatma Gandhi, a “SATIAGRAHA”. Como seria bom se o ministro do STF agisse como seus pares e só falasse no processo que lhe fosse distribuído ao invés de servir aos interesses escusos dos homens que detém o poder mas são carentes de nobreza.

Os argumentos para justificar os ataques à Policia Investigativa são pífios e não se sustentam. As acusações são vagas e se realmente tivessem ocorridos abusos durante as investigações já teriam surgidos provas. A postura do Delegado Protógenes vale por si só. Que pessoa teria a audácia de falar de cabeça erguida que provará a lisura de seus trabalhos se tivesse cometido desvios?

Mais uma vez a corda arrebenta do lado mais fraco. E não se enganem, não estamos aqui falando da Polícia Investigativa, apesar do covarde projeto de sua desconstrução. Aos policiais ainda restarão parcos salários e uma arma para se defenderem. Quem mais sofrerá com esta desconstruçao é o povo ordeiro do nosso país que não mais poderá contar com a já sub-dimensionada Policia Judiciária para combater o crime organizado nas suas formas mais nefastas que se apresentam como a corrupção nos três poderes e o tráfico ilícito de entorpecentes.

Só nos resta acompanhar o Poeta Manoel Bandeira até Passárgada, pois lá, ao contrário daqui, teremos a amizade do rei.

 

· Bacharel em Direito em Minas Gerais

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1 Comentario »

  • Bruno Alves disse:

    Bela postagens,o autor disse tudo.

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