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O CIRCO DO MINISTÉRIO PÚBLICO EM TORNO DO CASO ISABELLA

13 de maio de 2008 1.260 visualizações Nenhum Comentário Imprimir este artigo Imprimir este artigo

Isabella se foi. Uma família trilha os caminhos do sofrimento. A mãe, os avós e outros parentes choram essa grande perda.
Isabella foi uma criança indefesa que se tronou muito importante até mesmo para quem simplesmente desconhecia sua existência. Importante, sim, porque muitos olhos verteram lágrimas diante de sua morte. Mas, infelizmente, também para aqueles que se curvam diante dos holofotes da mídia e se submetem à ânsia de poder, à vaidade pessoal ou às duas coisas juntas.
Para esses, não importa o sofrimento alheio. Isabella, de apenas cinco anos de idade, foi assassinada, mas a repercussão ganhou mais importância do que a própria vítima. Então, muita gente quer aparecer. Nem tanto o delegado responsável pela investigação, já que ele é aquele que, de fato, ocupa seu tempo trabalhando para desvendar o crime e faz isso permanentemente, pois é seu ofício fazê-lo em qualquer circunstância, haja ou não o interesse da mídia nos crimes a serem apurados.
As atribuições de um promotor de justiça diante dos crimes início quando o juiz lhe encaminha os autos do inquérito policial para que ofereça ou não a denúncia. Porém, não é assim que tem acontecido no Brasil. Basta que o crime qualquer um tenha repercussão na mídia para que um promotor de justiça extrapole suas atribuições e pule na frente dos holofotes para dar entrevistas e mais entrevistas. Não se sabe por que, a imprensa geralmente compra essa falsa idéia da atuação investigativa dos promotores de justiça, divulgando-a aos quatro ventos. Com isso, a população fica sem sabe quem, afinal, apura os crimes de cada dia, se a Polícia Judiciária ou o Ministério Público. A primeira é constituída para investigar e o segundo é titular da ação penal e fiscal da lei, o que não é pouco. Mas, de alguns anos para cá, esse fiscal da lei deveria, isso sim, fiscalizar a si próprio para não exorbitar de suas funções em que, aliás, se especializou. É flagrante a ausência de compromisso com o interesse público.
O fascínio provocado pelos holofotes em almas pequenas tem feito com que angelicais criaturas sirvam de picadeiro para o circo dos horrores, montado sempre que um crime repercute na mídia. Ninguém vê promotor de justiça interessado em assassinos de anônimos ou ladrões de galinha.
Descanse em paz, Isabella.

Danilo dos Santos Pereira
Artigo publicado no Jornal Muito Mais SINDEPO MINAS ano 25 –

 

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