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A CRIMINALIDADE MULTIFATORIAL E A RUPTURA DA PAZ SOCIAL

28 de março de 2009 1.309 visualizações 1 Comentario Imprimir este artigo Imprimir este artigo

JEFERSON BOTELHO

Professor de Direito Penal e Processo Penal em Minas Gerais;
Pós-Graduado em Direito Penal e Processo Penal pela FADIVALE, em Governador Valadares/MG.
Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad Del Museo Social Argentino – Buenos Aires – Argentina.

"O homem quando abandona a honestidade deixa a razão e passa para a irracionalidade"

Na atualidade, a violência é uma das maiores preocupações povo brasileiro.  Assalta nossa paz, arranca nossa tranqüilidade e pouco se faz para amenizar essa caótica e avassaladora situação.

A Igreja Católica, com muita consciência e com poder de transformação tratou a Segurança Pública na Campanha da Fraternidade deste ano, onde estabelece que A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA, demonstrando compromisso com a sociedade e repúdio à guerrilha urbana. Assim, enquanto não for desenvolvida a consciência de uma CULTURA DA PAZ, a tendência será sempre tentar superar violência com violência.

Ma a violência não escolhe lugar. Está presente nas ruas, na zona rural, nos campos de futebol, nas rodovias, no interior de ônibus, nas residências, nas praças esportivas, nas escolas e em muitos outros locais, a ofender a dignidade da pessoa humana no seu direito vital mínimo.

Esses níveis de violência têm contribuído para o aumento da criminalidade, lembrando que o somatório de infrações penais nos leva a aferir o nível de criminalidade, que necessariamente não é a mesma coisa que violência. Enquanto a violência é constrangimento físico ou moral, a negação de um direito fundamental, a criminalidade é a expressão dada pelo conjunto de infrações que se produzem em um tempo e lugar determinados. É o conjunto dos crimes.

A mídia noticia a todo instante um novo e estarrecedor fato criminoso. Quem tem a missão de evitar às vezes procura responsabilizar a própria vítima, com o argumento de que ela teria se descuidado. Assim, é mais fácil esconder sua própria incompetência. Homiziar suas idiotices agudas com ações pirotécnicas e rajadas de engodas e falsidades.

Prejuízos imensos, de ordem emocional e pecuniária.

Evidencia-se o aumento da violência nos finais de semana, que efetivamente começa na sexta-feira, à noite, atingindo seu ponto alto no domingo à tarde. Vários são os fatores geradores. Nos finais de semana, as pessoas saem mais de casa, vão ao clube, ingerem bebidas alcoólicas, as pessoas viajam mais, usam drogas, e aí a violência torna-se robustecida pela agressividade, sendo esta a disposição para o desencadeamento de condutas hostis e destrutivas, contribuindo para a superlotação das delegacias de polícia e tumultuados plantões nesse período.

Nas grandes cidades ninguém consegue mais ter paz. Acha que a solução é o refúgio para as pequenas cidades. Mas se enganam. Com o fenômeno da interiorização do crime, as pequenas cidades também estão sendo atacadas pelas gangues organizadas.

Quem sai cedo para trabalhar e vai ao ponto de ônibus, uma ameaça. Cada pessoa que se aproxima uma nova desconfiança; nas nossas residências, ficamos praticamente presos, como se estivéssemos em pequenos castelos murados, verdadeiras prisões domiciliares.

A moda atual é o seqüestro relâmpago que acaba de ser tipificado como crime em votação no Senado Federal. A vítima, sob a mira de uma arma de fogo é posta em obediência inquestionável, é rendida e tem seu dinheiro sacado, através do seu próprio cartão magnético, em favor do autor em conflito com a lei.

A polícia, bem que tenta amenizar essa situação com seus abnegados agentes, amantes da profissão, mas sempre desvalorizados, ultrajados nos seus direitos salariais, quase todos perdidos de armas nas mãos.

Fica patente que a criminalidade sofisticada tem vencido essa guerra.

Na defesa da ordem pública, há aqueles que ostentam sempre a bandeira da paz e da ética profissional, adormecem, diariamente, pensando como evitar um novo fato criminoso, lutando diariamente no combate ao crime e na defesa da sociedade, que merece todo o apreço e consideração.

Aqueles que adormecem pensando como conquistar a harmonia social, a esperança de dias melhores, o sabor da paz, por um mundo melhor. Estes são essenciais. Assim, na batalha campal de luta contra o crime há de prevalecer de maneira inarredável o interesse maior da coletividade, pela liberdade, fraternidade e pela vida.

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1 Comentario »

  • Cissa disse:

    FANTASTICO!

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